Depois de um 2007 a dar sinais preocupantes, 2008 foi um annus horribilis a nível mundial. Está na hora de todos cerrarem fileiras e lutarem com otimismo pelo futuro próximo. Eu próprio, desliguei os telefones para preparar as bases para o 1º trimestre do ano e meditar sobre os passos a seguir.
A tarefa não será fácil para ninguém pois os agentes económicos atravessam um período de desconfiança generalizada e esta será a batalha a vencer: a confiança tem obrigatoriamente de ser restabelecida e as entidades reguladoras têm de lançar medidas efetivas que possibilitem que a concessão de crédito volte a aumentar significativamente, o PIB tem de ser uma prioridade e a contração do consumo e investimento tem de ser estancada.
Não obstante, o crescimento económico, medido pelo PIB, será negativo para todo o ano de 2009 em grande parte devido à referida contração do consumo e investimento. O único segmento que tem potencial para compensar estas descidas é a redução no deficit do comércio exterior. Vamos importar menos, mas não temos a capacidade de produção para aumentar as exportações por qualquer quantidade significativa. Efeito líquido: contração económica com significativa perda de empregos e os gastos de consumidores em queda livre. Vai, quase com toda a certeza, persistir um ênfase na frugalidade e poupança.
Vai haver crescimento da “outra” economia que produz bens e serviços que não contam para os cálculos do PIB. As famílias vão cozinhar mais em casa, vai aumentar a produção “caseira” de cereais, a jardinagem, o artesanato, projetos de bricolage e reparação, mais entretenimento em casa em vez das saídas habituais, em suma, as pessoas vão voltar-se mais para a sua casa. Os consumidores vão ter orgulho da auto-suficiência e irão tomar de volta às suas próprias mãos parte da sua vida económica.
Será inevitável um crescimento das lojas de revenda e consignação, pois as pessoas tenderão a vender o que não lhes faz falta, a fim de fazerem dinheiro e simplificar a sua vida. Ou então, quando comprarem, darão prioridade às pechinchas em segunda mão. Eis aqui um excelente nicho de mercado para quem quiser implementar um novo negócio.
Vão aumentar os pequenos negócios com sede em casa pois as pessoas lutam para encontrar formas de ganhar a vida e as empresas irão contratar menos empregados.
Também os negócios com base na internet vão aumentar significativamente pois as pessoas estarão mais em casa e utilizarão bastante mais a net para estabelecer ligações, fazer negócios e ganhar acesso à livre informação e entretenimento.
Todos os negócios que não sejam reais e palpáveis serão alvo de suspeita e tenderão a baixar drasticamente. Vai haver mais gastos governamentais em infra-estruturas, transporte ferroviário, estradas, pontes, escolas, e em suma será dado ênfase em projectos que possam trazer benefícios para a economia local. No entanto, os efeitos sobre estes benefícios não serão sentidos até 2010.
Estamos a enfrentar uma grande mudança nos padrões de consumo e que vai durar muitos anos. As pessoas tenderão a dar prioridade aos prazeres simples e numa vida baseada em casa.
Apesar de tantos dados preocupantes uma certeza positiva deve emergir deste novo status-quo da nossa sociedade: o afrouxar da ganância e egoísmo, e da esperança de que finalmente tudo vai ficar bem.
Um Excelente 2009 para todos vocês, sejam otimistas e sorriam perante todas as dificuldades que vão encontrar. O sorriso é um excelente bálsamo para se vislumbrarem as soluções que muitas vezes pensamos não existirem.
After every storm the sun will smile; for every problem there is a solution, and the soul's indefeasible duty is to be of good cheer.
Nota: Neste texto não estranhem o Português de algumas expressões mas o Acordo Ortográfico já entrou em vigor.

2 comentários:
Completamente de acordo, aliás, não poderia deixar de acrescentar que também partilho do mesmo ponto de vista.
Análise muito boa do que será o nosso 2009. ;-)
Grande Carlos !!!
Admiro o mais a cada dia que repasso seu blog.
Entre em contato com seu amigo de Campinas, Brasil. Estou com saudades do nosso bate papo. Ginel Miranda
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