Sábado, 27 de Setembro de 2008

Crise - Conselhos e Conselheiros

A crise apenas poderá terminar com a estabilização do mercado residencial.
O descalabro hipotecário conduziu a uma terrível falta de liquidez e confiança e em que os bancos já nem sequer emprestam fundos uns aos outros.

James Quigley, conselheiro delegado mundial da Deloitte, diz que o cerne do problema residiu no facto de se terem tomado muitas decisões de negócio baseadas em condições de mercado que rapidamente se inverteram; em modelos de financiamento abundante com base em activos (fundamentalmente imobiliários) que se desvalorizaram significativamente, especialmente nos EUA, Reino Unido e Espanha; defende ainda que a volatilidade do sector e magnitude do problema deveriam ter sido antecipadamente previstos; afirma que o elevado endividamento resultante deste pesadelo acabaram por pôr em perigo a sobrevivência do actual sistema de financiamento e do mercado de capitais.

Mas esquece-se, levianamente, de mencionar que é a empresas de auditoria e consultoria como a sua (a Deloitte tem, por ex., como clientes a Morgan Stanley e a Merrill Lynch) que se devem imputar responsabilidades pelos "aconselhamentos" que prestaram aos seus clientes.

Muitos têm responsabilidades nesta crise mas nem a Deloitte (e outros "tubarões" do mercado de auditoria e consultoria) nem os reguladores (que há mais de 1 ano!! que andam a re-avaliar o modelo preconizado para as instituições financeiras e agências de rating) podem, de forma alguma, lavar as mãos como Pilatos. Assumam-se!!!
E aprendam com um velho provérbio... “A complete catastrophe includes not learning from the experience.”

Frente Franco-Árabe em Espanha - Petróleo

Os Franceses e os Àrabes posicionam-se para controlar o mercado petrolífero Espanhol.
A CEPSA e a REPSOL dominam cerca de 60% do mercado de postos de combustível (5 131 unidades em conjunto) e detém 8 das 10 refinarias no País e ficarão, muito provavelmente, nas mãos da Total e da IPIC. Os franceses da Total, que detém 48,8% do capital da CEPSA (os restantes accionistas de peso são o Santander, Unión Fenosa e IPIC - o Fundo soberano do Emirado de Abu Dhabi), estão em vias de de adquirir 20% da Repsol. A concretizar-se esta operação de aquisição das acções actualmente na posse da Sacyr Vale Hermoso, a Total irá garantidamente lançar uma OPA sobre a Repsol para a passar a controlar, saindo, simultâneamente, da Cepsa, num evidente acordo estratégico com o IPIC. Estes têm, por sua vez, um princípio de acordo para ficar com as acções que Santander e Unión Fenosa têm na Cepsa. Que belos movimentos de tabuleiro...

Isto significa que, a não ser que o executivo Espanhol, imponha restrições nos votos das 2 petrolíferas, o mercado Espanhol de combustíveis passará a estar controlado pela Total e pelo IPIC. Será que estes "ventos" irão continuar a soprar atingindo o nosso pequeno país também?

Europa - Subprime

Os Bancos europeus estão a revelar confrangedora falta de liquidez e são obrigados a recorrer ao Banco Central Europeu (BCE) para fazer face ao problema. Os financiamentos solicitados ao BCE ultrapassam já os 150 mil milhões de euros (o montante mais alto de sempre) e o BCE apenas injectou nos últimos dias €50 Milhões, levando a que a Euribor batesse o seu 3º máximo histórico consecutivo.
Ou seja, se as injecções de capital do BCE atenuam a falta de liquidez dos Bancos não conseguem evitar um permanente stress no sistema e na confiança económica dos agentes.
Exigem-se medidas estratégicas imediatas e um plano estruturado que estabeleça a confiança dos mercados.
Chegou o momento dos líderes e pensadores europeus provarem à saciedade porque é que somos o Velho Continente... carregados de história, cultura e experiência. A experiência necessária para pôr um travão à crise, tratar dos feridos, enterrar os mortos e seguir em frente mais fortes. Mais que nunca "time is of the essence".

Sexta-feira, 19 de Setembro de 2008

Sub-prime mortgage blues - Oh Yeah!

AIG - Salva pelas tetas do FED

No dia 15 de Setembro, começou a ser discutida a falência iminente do American International Group (AIG), a maior seguradora norte-americana, com negócios em mais de 100 países, depois de a mesma ter sido alvo de downgrades das principais agências de rating à sua dívida.

Também a AIG foi vítima da sua exposição ao segmento subprime, a qual gerou perdas de 18 mil milhões de dólares nos últimos 3 trimestres.

Confrontada com a necessidade de efectuar um aumento de capital imediato, impossível de concretizar no mercado, a empresa não teve outro remédio senão recorrer à intervenção da Fed, que aceitou conceder um empréstimo até ao valor de 85 mil milhões de dólares, em contrapartida de uma participação de 79,9% no capital da empresa.

Ao anunciar a sua decisão, a Fed argumentou que a falência da AIG, na actual conjuntura, poderia «incrementar ainda mais a fragilidade do mercado financeiro, o que se traduziria no aumento significativo dos custos de financiamento, redução do património das famílias e diminuição da actividade económica».

Segundo uma estimativa do RBC Capital Markets, a eventual falência da AIG poderia gerar perdas adicionais de 180 mil milhões de dólares para o sector financeiro internacional, atendendo ao significativo papel desta seguradora como contraparte no mercado de derivados. A sua falência representaria o maior colapso financeiro da história.

Tendo a duração de 2 anos, o empréstimo permitirá à AIG vender alguns dos seus activos (que incluem uma unidade de leasing de aviões, uma unidade de resseguro e outra de crédito ao consumo, além de outras participações financeiras), de forma mais tranquila, sem deprimir os preços de mercado.

Lehman Brothers e Merrill Lynch

No início de 2008, existiam 5 grandes bancos de investimento nos EUA, os quais beneficiaram largamente nos últimos anos da sua actividade de intermediação, em parte associada ao financiamento do sector imobiliário norte-americano. Da mesma forma que cresceram com a bolha imobiliária, foram vítimas do rebentamento da mesma a partir do Verão de 2007.

Ao contrário dos bancos de serviço universal, que contam com actividades diversificadas, incluindo uma ampla base de depositantes, os bancos de investimento estão exclusivamente dependentes dos mercados de capitais (acções e obrigações) para financiar a sua actividade.

Nos últimos meses, com o agravamento das perdas relacionadas com a actividade de crédito, tornou-se crescentemente difícil o acesso a novos capitais próprios, o que limitou substancialmente a capacidade destes bancos em continuarem a funcionar de forma autónoma e colocou alguns deles em risco de falência.

A primeira falência foi evitada em Março de 2008, quando o Bear Stearns foi salvo através de uma aquisição por parte do JP Morgan Chase, apoiada por um financiamento da Fed.

No último fim-de-semana goraram-se as últimas tentativas de salvar a Lehman Brothers, cuja capitalização bolsista chegou a atingir 45,5 mil milhões de dólares em Fevereiro de 2007.
Fundado em 1850 por 3 emigrantes judeus alemães, sobreviveu às falências das empresas de companhas de ferro no século XIX, à Grande Depressão nos anos 30 e ao colapso do hedge fund LTCM em 1998, mas não resistiu à crise subprime que ajudou a criar.

A acentuada quebra da sua cotação, a crescente dificuldade em efectuar contratos com contrapartes, a dificuldade de vender activos imobiliários e a sua unidade de gestão de activos financeiros, bem como a impossibilidade de encontrar um comprador, levaram à decisão de pedir protecção dos credores no dia 15 de Setembro, deixando 25.935 trabalhadores (que detinham um terço do capital) no desemprego.

Os credores obrigacionistas, que detêm 613 mil milhões de dólares de dívida da Lehman Brothers, poderão receber cerca de 60% do valor investido, segundo a CreditSights Inc.

Ao contrário do que aconteceu com o Bear Stearns e com a Freddie Mac e Fannie Mae, as autoridades norte-americanas não aceitaram intervir no processo de recuperação da empresa, o que poderia ser considerado como sinal de que qualquer instituição financeira seria salva pelo governo, utilizando o dinheiro dos contribuintes.

Para evitar o mesmo destino, a Merrill Lynch (cuja cotação havia desvalorizado 36% em apenas 1 semana) chegou a acordo para ser adquirido pelo Bank of America, por cerca de 50 mil milhões de dólares, por troca de acções, antes da reabertura do mercado no dia 15 de Setembro, pondo fim a 94 anos como banco independente. Para o interesse do banco comprador, foi decisivo o vasto negócio de corretagem da Merrill Lynch nos EUA (16.690 corretores), bem como a sua participação em perto de 50% na Sociedade Gestora de fundos BlackRock, avaliada em 24 mil milhões de dólares.

Assim, em 6 meses, os 5 grandes bancos de investimento norte-americanos ficaram reduzidos a apenas 2, a Goldman Sachs e a Morgan Stanley. No actual cenário, de difícil acesso ao mercado de capitais, parece ser cada vez mais provável o seu “casamento” com um banco universal, à semelhança do que aconteceu com o Bear Stearns e a Merrill Lynch.

Sexta-feira, 12 de Setembro de 2008

Sacred Spirit - Legends

“Music speaks what cannot be expressed, soothes the mind and gives it rest, heals the heart and makes it whole, flows from heaven to the soul.”




Envolver as Pessoas Certas no Processo de Planeamento

Depois de ter descrito as Fases Típicas no Processo de Planeamento Estratégico, torna-se importante referir o quão importante é a tarefa de sabermos envolver as pessoas certas no Plano Estratégico.

É crítico que todas as partes troquem "feedback" para que tudo funcione de forma eficiente, independentemente do tipo de sistema. Durante o planeamento é fundamental recolher "inputs" dos responsáveis e representantes de cada parte/secção do plano. Deve haver também elementos envolvidos com responsabilidade para rever e autorizar as diferentes fases do plano. A sistematização da troca de informação, revisão e aprovação dos processos é um factor fundamental durante todo o plano.

Angola - Rainha de África

Em Abril de 2008, Angola superou tranquilamente a Nigéria tornando-se o produtor de petróleo #1 do continente Africano. O produto interno bruto do país está projectado para crescer quase 16 por cento este ano, colocando Angola entre as economias com o maior crescimento a nivel mundial.

Com os negócios a florescerem em Luanda, a capital, onde se podem ver Bentleys e veículos utilitários desportivos de luxo nas ruas, com um quarto de hotel (quando disponível) a custar cerca de US$300 por noite, com alugueres de apartamentos modestos a ultrapassar os US$3 000 / mês e com multinacionais de todo o mundo a começar a investir a sério no País, Angola tem tudo para se tornar num portentado. Riquíssima em matérias-primas que não apenas o petróleo, com todas as condições para se desenvolver em termos agrícolas e industriais e, agora, com a estabilidade governativa solidificada com as recentes eleições legislativas, o grande desafio será saber se é possível estancar ou pelo menos reduzir o reverso da medalha: cada vez existem mais angolanos a viver na extrema pobreza pobreza e ainda muito (quase tudo) tem de ser feito em termos de infra-estruturas, sendo este o factor que levanta dúvidas quanto à capacidade do actual maior produtor de petróleo de África, saber sustentar o seu crescimento económico no longo prazo.

O governo angolano tem feito esforços para fortalecer as instituições políticas e de desenvolver uma estratégia de diversificação económica, e também se verifica uma inteligente e estável política monetária, mas ainda existem muitas arestas por limar, nomeadamente um excessivo sistema de clientelismo, a escassez de trabalhadores qualificados e os efeitos de distorção de uma economia dominada pelo petróleo que tem, obrigatóriamente, que saber crescer em todos os sectores de actividade.

Tendo nascido em Angola e com interesses acrescidos no seu desenvolvimento eu quero acreditar que sim e tudo farei para contribuír modestamente, e com a minha quota-parte, no atingir desse desiderato.